“Sou um não-crente profundamente religioso”
A. Einstein

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ah... como eu queria.

Sempre quis ser uma janela aberta para o mundo, ser ouvido, ouvir, aprender, comunicar... Quando eu vi o mundo como ele é, cheio de assassinos de sonhos, sangue sugas, comedores de bife; ah... nesse momento quis fechar a minha janela para esse mundo, mas é tarde. Não sou perfeito a ideia de perfeição para mim é ignóbil em relação a própria natureza humana, a barbárie tem rosto humano, assim como a piedade também, tornar-me quem sou esta se tornando um peso justamente porque isso não é fácil, já me traio a meses por sentimentos que não me diz respeito e agora querem e quase já estão fazendo parte de mim.
O medo, ah o medo... me acompanha por horas, semanas, meses e anos; perdi muitos referenciais de vida e sonhos, a depressão bateu a porta, mas, tudo isso, todo esse peso foi carregado até aqui somente por duas mãos; ah como eu queria... Estar no mundo e não querer ser mais reconhecido se torna uma vontade, estar no mundo e esquecer tudo o que senti se torna uma vontade. aceito esse meu não livre arbítrio,  como Deus pode ser esse pai tão cruel? Acho que não sei quem sou, nunca soube... Neste momento o pensador se dobra sobre si e só as lagrimas são testemunhas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Dona Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá -lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abaixou a cabeça: “Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia”.
 Carlos Drummond de Andrade.