“Sou um não-crente profundamente religioso”
A. Einstein

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sobre urubus e beija flores, Rubem Alves

Eu estava terminando a leitura de um artigo científico. De vez em quando é bom ler ciência. A gente fica mais sabido. Tudo explicadinho. No final das contas, tudo se deve a esse gigantesco infinitamente pequeno disquete que existe dentro das células do corpo chamado DNA. Nele está gravado o nosso destino. Antes de existir, eu já estava “programado” inteiro: a cor dos meus olhos, as linhas do meu rosto, a minha altura, os cabelos brancos precoces, o seu adeus que nada consegue evitar, o sexo. Dizem alguns que lá está até um relógio que marca quantos anos eu vou viver. E é implacável: o que a natureza põe, não há homem que disponha.
Programa mais complicado que o DNA não existe. Tudo tem de acontecer direitinho, na ordem certa. E quase sempre acontece. Quase sempre… Vez por outra uma coisinha não acontece segundo o programado. E o resultado é uma coisa diferente. Assim aparecem os daltônicos, que não vêem as cores do jeito como a maioria vê. Ou o canhoto, que tem de tocar violão ao contrário. De vez em quando, uma criança com síndrome de Down. E quem não me garante que Mozart não foi também um equívoco do DNA? Pelo que sei, a receita não se repetiu até hoje…
O artigo prosseguia para mostrar que é assim que, vez por outra, aparecem pessoas com uma sensibilidade sexual diferente: os homossexuais. Tudo aconteceu lá no DNA: um relezinho que funcionou de maneira não programada. Primeiro, caiu o relê que determina o sexo, se vai ser homem ou mulher. Depois, o relê que determina os caracteres secundários, que fazem a “imagem” do homem e da mulher. Por fim, o relê que determina o objeto que vai disparar as reações químicas e hidráulicas necessárias para o ato sexual. Esse objeto é uma imagem. Nos heterossexuais, é a imagem de uma mulher. Nas mulheres heterossexuais, é a imagem de um homem que faz o seu corpo estremecer.
Acontece, entretanto, que por vezes esse último relê não funciona e a pessoa fica ligada à imagem do seu próprio sexo. A imagem que vai como­ver seu corpo é uma imagem semelhante à sua. E isso que é ser homossexual. O homossexualismo é uma condição estética.
Tudo por obra do DNA. Nada tem a ver com educação, com a mãe ou com o pai. Ninguém é culpado, pois culpa só pode existir quando existe uma escolha. Mas ninguém escolheu. Foi o DNA que fez. E nem pode ser pecado. Pois pecado só existe onde existe culpa. E nem pode ser curado, pois o que a natureza fez não pode ser desfeito.
E foi nesse momento eu estava meditando sobre essas coisas que fogem à compreensão dos homens, como a origem do DNA, o processo pelo qual ele foi estabelecido, se por acidente, se por tentativa e erro, se por obra de algum programador invisível — que uma coisa estranha aconteceu: um barulho como eu nunca ouvira, no meu jardim. Tirei os olhos do artigo, olhei através do vidro da janela e o que vi — inacreditável — um urubu, sim um urubu, batendo furiosamente as asas como se fosse um beija-flor, diante de uma flor de alamanda sugando o melzinho. Achei que estava tendo alucinação, mas não. Era verdade. O urubu, ao ver meu espanto, pousou no galho de uma árvore de sândalo e começou a se explicar, do jeito mesmo que acontecia.
Sofro muito. Nasci diferente. Urubu, todo mundo sabe, gosta de carniça. Basta que se anuncie carcaça de algum cavalo morto, os olhos dos urubu ficam brilhando, a saliva escorre pelos cantos do bicos, a língua fica de fora — e lá vão eles churrasquear. Urubu acha carniça coisa fina, manjar divino! Eles não a trocariam por uma flor de alamanda por nada nesse mundo!
Mas eu nasci diferente. Meus pais, coitado morreram de vergonha quando ficaram sabendo que eu, às escondidas, sugava o mel das flores. Compreensível. O sonho de todo pai é ter um filho normal, isto é, igual a todos. Urubu normal gosta de carniça. Eu não gostava. Era anormal. Fiquei sendo objeto de zombaria. Na escola, logo descobriram minhas preferências alimentares. E impossível esconder. Se to
do o mundo está comendo carniça e você não come, que explicação você pode dar?
Aí meus pais começaram a sofrer, pensando que eu era assim por causa de alguma coisa errada que tinham feito na minha educação.
Me mandaram para o padre. Severo, ele abriu um livro sagrado e disse que Deus, o Grande Urubu, estabelecera que carniça é o manjar divino. Urubu, por natureza e por vontade divina, tem de comer carniça. Chupar mel é contra a natureza. Urubu que chupa mel de flor está em pecado mortal. Terminou dizendo que eu iria para o inferno se não mudasse meus hábitos alimentares. E me deu, como penitência, participar de cinco churrascos.
Saí de lá me sentindo o mais miserável dos pecadores. Mas o medo não foi capaz de mudar o meu amor pelas flores. Não cumpri a penitência. Meus pais me mandaram, então, para um psicanalista que cobrava R$120,00 por sessão. Todos os sacrifícios são válidos para fazer o filho ficar normal. A análise durou vários anos. Ao final, fui informado que eu gostava de mel porque odiava meu pai, a quem eu queria matar, para ficar sozinho com a minha mãe. Aí, além de pecador, passei a sofrer a maldição de Édipo. Continuei a gostar do mel da flores. Por isso estou aqui, no seu jardim”.
Houve um momento de silêncio e eu vi o que nunca havia visto: um urubu chorando. Notei que sua lágrimas não eram diferentes das minhas. Aí ele continuou:
Gosto das flores. Não quero gostar de carniça. Não quero ficar igual aos outros. Só tenho um desejo: gostaria de não ter vergonha, gostaria que não zombassem de mim, chamando-me de ‘beija flor’, eu não sou beija-flor. Sou um urubu. Eu gostaria de ter amigos…
O que me dói não é a minha preferência alimentar, pois não fui eu quem me fiz assim. O que me dói é minha solidão. Gosto de flores por culpa do DNA. Mas a minha solidão é por culpa dos outros urubus, que poderiam ser meus amigos”. Ditas essas palavras, ele se despediu e voou par uma alamanda do jardim vizinho.
E eu fiquei a pensar que o mundo seria mais feliz se todos pudessem se alimentar do que gostam, sem ter de se esconder ou se explicar. Afinal ninguém é culpado por aquilo que a natureza faz ou deixou de fazer.
Rubem Alves, no livro “A grande arte de ser feliz”

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Desesperada calma

Universo... Mundo... Cidades... Bairros... Paredes... 
Vizinhos... Olhos... Moral... Lágrimas... Culpa...
Desespero sem ciência... Pai... Mãe... Invenções e aceitações.
Você... Nada em nada... 
Sua própria presença nada mais é do que engano. 
Na esquina ela te humilha... O soluço e a ânsia com paciência lhe trazem a imagem inegável de quem se é.  

terça-feira, 29 de julho de 2014

O médico e o índio

"Conta-se a seguinte experiência, vivida por um grande médico paulista muitos anos atrás. Durante o período em que trabalhou entre os índios xavantes, no Mato Grosso, ele fez amizade com um dos nativos, Rupawe, que o acompanhava frequentemente e lhe contava diversas histórias de sua tribo.

Numa tórrida tarde dessa região central do Brasil, os dois decidiram refrescar-se no rio das Garças. Nadaram durante quase uma hora e depois se sentaram à beira das águas para descansar e apreciar a bela paisagem. A agradável sensação da brisa tocando seus corpos pareceu despertar no médico pensamentos mais sutis, resultando neste curto diálogo:

- Você é feliz, Rupawe?

- Sim - respondeu prontamente o nativo.

- E você sabe o que é felicidade?

- Não."


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Jomo Kenyatta

Ouçam o que disse um dia Jomo Kenyatta, primeiro presidente da república africana do Kenya: "Quando os missionários ingleses chegaram pela primeira vez às nossas terras, eles tinham as bíblias e nós tínhamos as terras. Cinquenta anos depois, nós tínhamos as bíblias e eles tinham as terras."

terça-feira, 6 de maio de 2014

Tornando-se o que não se é.

Uma opinião qualquer sobre as coisas, um "sei lá o que" sobre perspectiva nenhuma e a defesa de um argumento totalmente infundado, faz com que o homem qualifique o que é mau sem perceber que o mesmo é inevitavelmente natural. Resulta-se daí um homem sempre pior, pois viverá sofrendo pela sua natureza, tornando-se um ser antinatural.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Clarice Lispector

Cuidado! Até cortar os nossos próprios defeitos pode ser perigoso. Pois nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Immanuel Kant - 'Lições de Ética'

O amor, enquanto afeição humana, é o amor que deseja o bem, possui 
uma disposição amigável, promove a felicidade dos demais e alegra-se com
ela. Mas é patente que aqueles que possuem uma inclinação meramente 
sexual não amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados à verdadeira 
afeição e não se preocupam com a sua felicidade, mas podem até mesmo 
levá-la à maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua 
própria inclinação e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um 
objecto do apetite; tão logo foi possuída e o apetite saciado, ela é 
descartada «tal como um limão sugado».

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

UI! (Você inventa)


Você inventa - grite!
Eu invento - ai!
Você inventa - chore!
Eu invento - ui!
Você inventa o luxo
Eu invento o lixo
Você inventa o amor
Eu invento a solidão...

Você inventa a lei
E eu invento a obediência
Você inventa a deus
E eu invento a fé
Você inventa o trabalho
E eu invento as mãos
Você inventa o peso
E eu invento as costas
Você inventa a outra vida
Eu invento a resignação
Você inventa o pecado
E eu fico aqui no inferno
Meu Deus, no inferno
Valha-me Deus

TOM ZÉ

domingo, 1 de dezembro de 2013

Som imediato

Esse som me marcou ontem no show do cazuza... 








Blues da Piedade

Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Novos generos e relacionamentos

Márcia Arán aborda a questão da juventude que coloca na berlinda o quadro das idades da vida forjado no século XIX. Coloca-se em discussão as problemáticas das novas modalidades de sexualidade, que colocam em pauta a fixidez das identidades sexuais. 
No programa Café Filosófico CPFL gravada no dia 22 de julho de 2009, em São Paulo.

sábado, 3 de agosto de 2013

A celebração da modernidade.

E vamos celebra-lá! cerebralmente falando, nas escolas, na política, está nos sindicatos e tem até advogado, encontra-se nos livros e se assemelha ao equivoco! Mas quem assumi-lá será fortemente castigado; pois ela só vem com a benção, ela é a própria benção... Ela é uma benção... Uma benção... Ela é.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vilén Flusser

Diante da natureza divina, o homem vive em estado de culpa permanente.
Ele procura a Deus, não para esclarecer as culpas, mas para pedir perdão.
Intimamente o homem sabe da futilidade de pedir perdão, mas persiste porque prefere não dar ouvido às suas convicções íntimas.
Talvez seja por isso, que às vezes, Deus nos olha com indiferença e desprezo.
Mesmo sabendo que a força divina é complicada demais para acatar nossas rotinas, o homem se esforça em impor a Deus, a rotina de conceder perdões.
Quem sabe devemos entender aí o ensinamento de Kafka: “Passei toda a minha vida, a combater o desejo de acabar com ela”.


domingo, 5 de agosto de 2012

Possibilidade de ser o que já se é.

Podemos tudo, TUDO... Ah a felicidade é uma linha tênue que vai da ilusão á verdade, mas, o nosso único problema é; onde está e o que é a verdade? Diante de tal subjetividade podemos tudo, sejamos imbecis, intelectuais, poderosos, artistas, juízes, professores, anjos e demônios todos farinha do mesmo saco.





Pode ser loucura, pode ser razão
Pode ser sim, pode ser não
Pode ser maria, pode ser joão
Pode ser carro, pode ser avião
Pode ser saúde, pode ser educação
Pode ser porta, pode ser portão
Pode ser amor, pode ser prisão
Pode ser drama, pode ser pastelão
Pode ser laranja, pode ser limão
Pode ser bíblia, pode ser alcorão
Pode ser inverno, pode ser verão
Pode ser pé, pode ser mão
Pode ser nevoeiro, pode ser poluição
Pode ser samba, pode ser baião
Pode ser são jorge, pode ser dragão
Pode ser circo, pode ser pão
Só não sei porque
Eu e você
Não pode não
Pode ser purê, pode ser pirão
Pode ser rei, pode ser peão
Pode ser chapeuzinho, pode ser lobão
Pode ser raio, pode ser trovão
Pode ser sujeira, pode ser sabão
Pode ser seda, pode ser algodão
Pode ser bermuda, pode ser calção
Pode ser beijo, pode ser chupão
Pode ser reforma, pode ser revolução
Pode ser creme, pode ser loção
Pode ser conselho, pode ser lição
Pode ser gato, pode ser cão
Pode ser fila, pode ser procissão
Pode ser eva, pode ser adão
Pode ser madeira, pode ser carvão
Pode ser antes, pode ser então
Só não sei porque
Eu e você
Não pode não
Pode ser guitarra, pode ser violão
Pode ser brocha, pode ser garanhão
Pode ser trepada, pode ser masturbação
Pode ser cama, pode ser chão
Pode ser visita, pode ser invasão
Pode ser regra, pode ser exceção
Pode ser tristeza, pode ser preocupação
Pode ser marte, pode ser plutão
Pode ser xadrez, pode ser gamão
Pode ser sério, pode ser gozação
Pode ser solteiro, pode ser sultão
Pode ser papo, pode ser discussão
Pode ser progresso, pode ser recessão
Pode ser bolsa, pode ser pregão
Pode ser favela, pode ser mansão
Pode ser fim, pode ser introdução
Só não sei porque
Eu e você
Não pode não
Pode ser cinema, pode ser televisão
Pode ser cara, pode ser coração
Pode ser mentira, pode ser plantão
Pode ser hobby, pode ser profissão
Pode ser país, pode ser nação
Pode ser santos, pode ser cubatão
Pode ser palpite, pode ser dedução
Pode ser cópia, pode ser invenção
Pode ser cagaço, pode ser precaução
Pode ser frango, pode ser faisão
Pode ser arroz, pode ser feijão
Pode ser juros, pode ser inflação
Pode ser incompetência, pode ser distração
Pode ser águia, pode ser gavião
Pode ser mocinho, pode ser vilão
Pode ser um, pode ser milhão
Só não sei porque
Eu e você
Não pode não
Pode ser problema, pode ser solução
Pode ser pobre, pode ser barão
Pode ser biriba, pode ser balão
Pode ser bela, pode ser canhão
Pode ser anágua, pode ser combinação
Pode ser bagre, pode ser salmão
Pode ser geladeira, pode ser fogão
Pode ser pai, pode ser patrão
Pode ser acaso, pode ser intenção
Pode ser pico, pode ser injeção
Pode ser hotel, pode ser pensão
Pode ser arte, pode ser borrão
Pode ser doente, pode ser são
Pode ser áries, pode ser escorpião
Pode ser inteiro, pode ser fração
Pode ser tudo, pode ser tão
Só não sei porque
Eu e você
Não pode não


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Morreu ontem a mãe da Barbie


‎"Morreu ontem a mãe da Barbie, a boneca adolescente. A filha que nunca será órfã, pequeno duende de sutiã 38 e de 33 polegadas de altura. Morreu a mãe da Barbie, que faz balé, esqui, patins em linha e todos os esportes radicais. Morreu a mãe da Barbie, que jamais a viu padecer de uma gravidez adolescente, nem desgosto, nem fome. Morreu a mãe da Barbie, que vai a todas as festas de gala e enegreceu há uns anos, qual Naomi Campbel, para ser consumida pela boa consciência racial do ocidente. Morreu a mãe da Barbie, morreu cedo demais para inventar uma Barbie de burka, ou com explosivos escondidos no cinto." 


Inês Lourenço

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Montaigne.

Esquece o futuro. Ele não te pertence. O presente te basta. Mas é preciso ser rápido quando ele é mau presente, e andar devagar quando se trata de saboreá-lo. Expressões como “passar o tempo” espelham bem a maneira de viver dessa gente prudente, que imagina não haver coisa  melhor para fazer da vida. Deixam passar o presente, esquivam-se, ignoram o presente, como se estar vivo fosse coisa desprezível. 
A natureza nos deu a vida em condições tão favoráveis, que só mesmo por nossa culpa ela poderá se tornar pesada e inútil.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Você sabe tão bem quanto eu que uma das principais causas do tédio é a estreiteza de nosso destino, todas as manhãs despertamos iguais ao que éramos na véspera, ser eternamente o mesmo é insuportável para os espíritos refinados pela reflexão... Sair do próprio eu, é um dos sonhos mais inteligentes que um homem pode ter.




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Epitáfio de Eduardo Lizalde.


Somente duas coisas quero, meus amigos, a primeira é morrer, 
a segunda  que ninguém se lembre de mim, a não ser por tudo aquilo que esqueci.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Entre os fortes e os mais fracos, eu sou apenas um simples mortal.

Não... eu não vou acreditar em mais nada, só vou me apegar as coisas materiais! Não aguento mais essa forma de tortura, estou a beira da loucura, um dia eu sei tudo isso vai parar... só me resta saber quando esse dia vai chegar. E hoje o adverso hostil não deve estar preocupado com nada, apenas em satisfazer seu ego que nos maltrata sem jamais guardar mágoas, seguindo as coisas que só faz bem para si mesmo...  só há lamentos. Sonhar para viver? Antes viveremos para merecer! e procuremos fazer e ir além do que aprendemos. Jamais ficarei frustrado e sempre desconfiarei do acaso.
Enquanto isso, as pessoas continuam ignorantes se esquecendo de viver sem medo e com certeza são melhores do que podem pra viver no desespero, e não param de lutar e olhar somente para o próprio rabo com mentiras, não devemos nos rebaixar a isso, elas adoram nos massacrar...
Mas eu sou mais forte e nada me comove, eu sou bem mais forte do que se possa imaginar, não sou de julgar eu vim para analisar e sei o que fazer em tal situação. O que sou ainda não sei, mas isso aqui é para ti dizer que até agora ninguém teve coragem de mostrar para você que somos todos covardes de aceitar essa situação de corpos caminhando para a putrefação... o que resta é viver sem medo.

Nova busca!

Estão mentindo, não tenho em quem acreditar, essas pessoas estão querendo me confundir. Pensamentos... o que é que eu vou fazer? Chamei você mas não consigo te enxergar, posso te ouvir, mas não sei se devo acreditar. Não fale nada que me faça dar risada, suas palavras é que são suas verdadeiras armas, um dia após o outro todos em pensamentos fúteis... Mas na verdade isso não te leva a nada, para os humildes isso se torna inútil.
Há muito tempo a humanidade vem amargurada, só de saber que dessa vida não levamos nada... Com muitos caminhos irei me deparar, não sei por qual vou caminhar, com um sentimento verdadeiro dentro do peito tento fugir dos pesadelos, o mundo gira e o tribunal não para de castigar... e ainda me dizem que é em deus a solução que temos que buscar? Só me fazem dar risada...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sombra de um sorriso.

A busca da "auto-alienação" sempre tem seu fim, não consigo me tornar aquilo que sou mesmo sabendo que sou, posso dizer que de imediato não me encontro, seria um crime contra a existência autoconsciente? Algo sempre me falta, saber do meu destino se torna algo sombrio e pavoroso... Ah!  minha sina, detesto, mas a amo. Fujo dela, mas sempre que fecho os olhos estou com ela, sempre que penso estou com ela, quando estou com os outros estou com ela, já a conheço há alguns anos e sempre quando quero realizar minhas vontades contra ela, o que poderia fazê-la deixar de existir, eu não consigo.
Todos os dias os lugares são os mesmos, o apodrecimento de minha carne se torna assustador, e os dias se vão... O invisível é muito presente e interfere na realização do querer tornar-me quem sou. Ser otimista ou pessimista tanto faz; a verdade esta ai para se duvidar. Meus erros são vulgares justamente por ser sincero, sinceridade? Sim ela mesma, você não encontra nos lugares ditos mais puros da sociedade, que o diga os púlpitos, só servem para cegar as pessoas. Os comedores de bife se alegram, brindam, é a exaltação da ignorância do outro, não foi uma escolha efetiva de minha parte esse caminho, mas agora se torna uma afirmação,  mesmo sabendo do meu destino, são lágrimas silenciosas as mais dolorosas, mas como foi dito não consigo me livrar dela, ela que é tão sozinha e que é minha; aparentemente minha.